De Linn da Quebrada a Kim Petras, a mulher trans na cultura pop

Divulgação/Instagram

A cada 19 horas uma pessoa morre vítima de crime LGBTfóbico no Brasil.

Infelizmente, esse dado não é novidade no país e também não é o tipo de destaque que gostaríamos de trazer, mas é importante de ser lembrado nesse momento em que temos muitos artistas da comunidade LGBTQIA+ ganhando o devido reconhecimento no Brasil e no mundo.

Felizmente, a arte feita por drag queens, gays, lésbicas, bissexuais e travestis faz cada vez mais barulho, levanta cada vez mais bandeiras e nos proporciona trabalhos incríveis. Responsáveis por projetos maravilhosos também estão as mulheres trans na cultura pop. Aqui estão apenas alguns nomes que merecem mais destaque:

Linn da Quebrada
Linn faz de tudo e mais um pouco. É cantora, compositora, produtora, roteirista, dançarina e atriz. Suas narrativas refletem sua defesa em nome dos direitos das comunidades LGBTQ e negra. Já a sua música é uma mistura do seu vasto repertório com sonoridades do pop, hip-hop, funk e eletrônico. A artista é um dos principais nomes do Festival GRLS que acontece em São Paulo nos dias 7 e 8 de março.

Mel Gonçalves

Mel ficou conhecida Brasil afora como a musa da extinta goiana Banda Uó. A cantora já declarou que no início não se sentia em falar abertamente sobre ser uma mulher trans. As músicas do trio exalavam alegria ao misturar pop, brega e funk. Em sua carreira solo, a morena traz mais a tona seu amor pela MPB e por temas pessoais, incluindo sua identidade de gênero.

Danna Lisboa

Danna traz suas influências do rap e do hip-hop para sua música e garante que muitos outros estilos influenciam na sua arte que ela pretende fazer com que converse com todos os públicos possíveis. O resultado são canções hiper dançantes e divertidas, ainda que com letras politizadas, dominadas de poesia e da sua paixão pela escrita. Aliás, sua trajetória começou por meio da dança. Pega a coreografia.

Liniker

É praticamente impossível não se encantar pela voz potente de Liniker. A cantora ficou conhecida no país em 2015 com o EP “Cru” ao lado dos seis companheiros dos Caramelows. Quatro anos depois já promovia o super álbum “Goela Abaixo”. Além de cantora e compositora, é atriz e roteirista.

Kim Petras

A alemã Kim Petras começou a fazer sua transição no início da adolescência e teve todo o apoio familiar. Aos 14 anos conseguiu seu registro oficial como uma garota. Apesar de não esconder sua trajetória, Kim espera que sua música supere seu caminho pessoal nas manchetes. E ela tem conseguido. Seu som que mistura pop e eletrônico ultrapassou as barreiras da Alemanha e faz barulho no mundo todo. Inclusive ela foi confirmada como o ato de abertura da nova turnê de Camila Cabello.

SOPHIE

A artista escocesa foi a primeira mulher declaradamente trans a ser indicada a um Grammy na categoria de Melhor Álbum Dance/Eletronic em 2019. Sua música traz muitas experimentações sonoras e abordam um pouco da sua transição. Ela também tem no currículo parcerias com Madonna e Charli XCX.

Laverne Cox

Saindo um pouco da música e mergulhando na atuação, Laverne é uma grande representante da comunidade transexual. A atriz já possui grandes papéis no currículo e talvez seu maior destaque seja de Sophie Burset, na série da Netflix “Orange Is The New Black”, pela personagem prisioneira Laverne colecionou prêmios e ampliou o debate pelos direitos civis LGBTQ.

Hari Nef

Quem assistiu a primeira temporada de “Você”, da Netflix, certamente se lembra da personagem Blythe, uma das melhores amigas da protagonista Beck. Blythe foi mais um passo na carreira de Hari Nef, mas não o principal. No currículo ela tem desfile da Gucci, sendo a primeira mulher trans a desfilar pela marca. Hari também foi pioneira como a primeira mulher transexual em campanha da L’Oreal Paris.

Hunter Schafer

Hunter mudou-se de Nova York para Los Angeles para dar vida à personagem Jules, em “Euphoria”, série da HBO. E desde então viu sua própria vida mudar rapidamente. Além de atriz, Hunter é modelo e apaixonada por artes plásticas. Ela também ajudou a encabeçar um processo contra o Estado da Carolina do Norte, onde nasceu nos Estados Unidos, quando o governo local decidiu banir pessoas trans de acessar banheiros de acordo com suas identidades de gênero.

Resumindo: cada mulher tem o direito de ser quem quiser e se expressar como preferir. Temos MUITAS outras mulheres incríveis com um imenso repertório cultural e artístico apenas esperando mais espaço para promoverem seus trabalhos, por isso é importante conhecer e consumir projetos desenvolvidos pela comunidade trans.

Além de muita música, o festival GRLS também abre o debate para o atual papel da mulher transexual e os ingressos para essa oportunidade única já estão à venda no site da Tickets For Fun.

Cintia Luz Lima

Jornalista - São Paulo, SP

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